O fenômeno da inflorescência

Nem sempre o que vemos, é o que parece ser. Veja essa flor de girassol, por exemplo:

Foto: PixaBay

Linda, não é mesmo? Uma flor alegre e imponente, todos conhecem essa imagem, cor e forma desde criança, quando tínhamos que nomear os objetos e desenhá-los. É praticamente uma das primeiras flores que temos conhecimento e contato. UMA FLOR de girassol.

UMA flor? Vamos olhar mais de perto:

Detalhes de um girassol.

Alguns já pegaram, e você, pegou? O girassol, como tantas outras flores, trata-se na verdade de uma inflorescência, ou seja, é o conjunto de várias pequenas flores.

No caso do mesmo, as flores encontram-se inseridas no capítulo – nome dado ao tipo de inflorescência em que as flores estão muito próximas de si e inseridas em um eixo comum.

O que chamamos de pétalas do girassol, são flores estéreis modificadas também inseridas no capítulo.

O fenômeno da inflorescência é fascinante e se apresenta de várias formas diferentes. Como nesse antúrio com uma bráctea protetora que serve como atrativo e “pista de pouso” para polinizadores e uma inflorescência do tipo espádice.

Alguns exemplos de plantas com inflorescência são: milho, cerejeira, girassol, antúrio, hortelã, uva, abacaxi.

Recentemente fiz um post no Twitter que gerou muita repercusão e engajamento. Mostrei que o abacaxi é resultado da fecundação das flores de uma mesma inflorescência. Cada flor forma um gominho do abacaxi.

Inflorescência do abacaxi. Créditos ao respectivo autor.

Ou seja, o abacaxi é um fruto múltiplo!

Tecnicamente falando, o “caxi” é uma frutescência e cada gominho é um frutículo.


Confira o post, aproveita e segue a gente no Twitter para um contato mais direto:

Quantas espécies de plantas existem?

Os diversos ambientes do planeta Terra, juntamente com as necessidades dos seres vivos, das mutações genéticas e da seleção natural moldaram evolutivamente os seres que nele habitam. Como consequência disso surgiram inúmeras espécies diferentes ao longo de milhões, bilhões de anos – já que a estimativa do surgimento da vida é de 3,5 bilhões de anos -, aumentando e muito a biodiversidade em nosso planeta.

Novas espécies de plantas e animais são descobertas a cada dia e atualmente descobrimos cerca de 2000 espécies novas de plantas por ano, muitas das quais já estão à beira da extinção. O Brasil, a China e a Austrália são os países que têm oferecido o maior número de espécies novas para a ciência. Lembrando que o Brasil é o país com maior biodiversidade do planeta, possuindo aproximadamente 23% da flora mundial.

Quantas espécies de plantas existem no mundo? Já se fez essa pergunta? A ciência nos trouxe a resposta. De acordo com pesquisadores do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, existem cerca de 391.000 espécies de plantas vasculares atualmente conhecidas pela ciência. Destas, cerca de 369.000 espécies são angiospermas (plantas com flores).

Pelo visto, ainda faltam muitas espécies para nosso Catálogo :’-)

Um pesticida pouco convencional

Pragas agrícolas assolam a humanidade desde tempos remotos, quando começamos a nos estabelecer em locais fixos e a plantar. Desde então procuramos e desenvolvemos maneiras de defender nossas tão importantes plantações de pragas como fungos, lagartas, formigas, gafanhotos, ervas daninhas; e hoje em dia isso quase sempre envolve a utilização de químicos agrotóxicos em larga escala. Porém existem outras maneiras de combater tais pragas, como pesticidas com compostos naturais extraídos de plantas; plantações em sistemas agroflorestais, os quais permitem um controle biológico das pestes; e patos… O quê? É isso mesmo… CEM MIL PATOS!

“Exército de patos” na China (Imagem: Twitter)

Na China resolveram utilizar 100 mil patos para controlar uma invasão de 400 bilhões de gafanhotos vindos das fronteiras da Índia e do Paquistão. Uma saída interessante, pois os gafanhotos já têm fama na história por destruir plantações e causar grandes prejuízos alimentares e econômicos à humanidade, então criaram esse “plano de emergência” barato e provavelmente eficaz para contenção dos invasores. O órgão de Agricultura e Alimentação da ONU afirma que essa nuvem de gafanhotos se encontra presente na região desde junho de 2019.

Nuvem de gafanhotos (Imagem: Arto Hakola)

Há índices de reprodução bem altos e invasões de gafanhotos em outras regiões do oriente médio e do leste da África, mas a China já se preparou com antecedência para essa “PATOlogia”.

Seria uma pétala nessa flor?

Muitas vezes as flores nos chamam atenção por conta de suas majestosas pétalas, com suas formas e cores vibrantes. Mas você já parou para pensar que a parte colorida e vistosa que admiramos podem não se tratar de pétalas, e sim brácteas? Mas que coisa louca é essa? O que são brácteas?

Primeiro, vamos entender o que são morfoses foliares.

MORFOSES FOLIARES: BRÁCTEAS

  • Morfoses foliares são as diferentes estruturas que folhas modificadas de algumas espécies de plantas podem assumir para a realização de funções especiais. Isso acontece para que a planta possa sobreviver a certos ambientes. Essas folhas podem exercer funções como: proteção, reservatório de substâncias, redução de transpiração, entre outras. E um exemplo dessas morfoses foliares são as brácteas.

O que são brácteas?

Brácteas são folhas modificadas associadas às flores ou inflorescências. Elas costumam ser bem vistosas, assumindo, assim, a função de atrair polinizadores. Pois, tais flores costumam ser pequenas ou com cores não muito chamativas, ou até mesmo sem pétalas. Nesse último caso, as brácteas podem assumir a função de proteção para o androceu (órgão reprodutor masculino da flor) e para o gineceu (órgão reprodutor feminino da flor), a exemplo da Cyperus rotundus.

  • Veja alguns exemplos de brácteas coradas nas imagens:

Por que as bananas não tem sementes?

Todos nós conhecemos essa fruta maravilhosa e popular que é a banana, muito prática pois basta descascar e comer sem maiores dificuldades nem contratempos, como sementes.

Mas, por que essa fruta não possui sementes? Vamos por partes, algumas espécies de banana possuem sim sementes, mas vamos falar das que estamos familiarizados a comer no dia a dia.

Espécie de banana possuidora de sementes.

Nem tudo é o que parece.

Muitos acreditam que aqueles pontinhos pretos próximos ao eixo da banana são sementes, na verdade são óvulos não fecundados, vulgo sementes estéreis, não desenvolvidas, vestigiais.

Sumiu?

Acredita-se que o desenvolvimento do fruto com ausência de sementes decorreu de seleção artificial, quando produtores começaram a cultivar as bananas “defeituosas” que sofreram alguma alteração genética que as tornaram inférteis com o objetivo de aumentar a qualidade do produto para o consumo humano, livre de sementes, para nossa comodidade.

Sem sementes como a bananeira se reproduz?

A bananeira pertence à família das Musáceas, cujos membros possuem um caule subterrâneo chamado rizoma, que é o verdadeiro e único caule da bananeira. É a partir desse rizoma que nascem os brotos que dão origem a um novo indivíduo. Nesse caso, a nova planta carregará as mesmas informações genéticas da anterior, ela será idêntica à planta-mãe. Isso é um problema pois carregarão também as mesmas vulnerabilidades com relação a pragas e doenças. Numa plantação de bananeiras o que vemos é um verdadeiro exército de clones!